
Olhó Robot.
Hoje acordei assim, ao som dos Saladas de Frutas, enrolada num sofá com vista para o mar. "É para o menino e para a menina, olhó... Trabalha muito e gasta pouco, olhó..." E lá fora, um bébe que chora, a música de um telemóvel; o choradinho do trânsito; uma gargalhada colorida de criança, uma sirene, o nervosismo da gaivota. E as palavras.
Enquanto o resto fervilha, elas estão em banho-maria, entre as entranhas e a boca, á espera da conclusão do processo de selecção para sair. Confio cegamente nelas,na força que levam quando pronunciadas, de forma eloquente e em voz alta, para que se ouça o que têm para dizer. E no entanto, errei.E fi-lo tremendamente. Servi-me das palavras amputadas,das insípidas,das sem-história e das feinhas, que só trazem consigo um ruído animal e desinteressante, e deixam no outro, uma enorme sensaçao de decepção.
Se o arrependimento matasse...